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A TORA DA ÁRVORE

Texto da profa Eliane Oliveira - 11/11/19

Quando dizemos "postura da árvore" estamos dizendo que árvore tem postura. Na relação com mundo de todas as coisas, árvores manifestam uma atitude – que é sua visão de mundo. Os praticantes de yoga, somos bem interessados na visão de mundo das árvores. Para entender qual é a visão de mundo de uma árvore, precisamos saber o que ela pensa, como sente e como age. A melhor maneira de sabê-la é incorporá-la. Funciona assim: evocamos o seu espírito de árvore e emprestamos nosso corpo para lhe dar corpo. O espírito da árvore transpira sobre nós e nosso corpo o dramatiza. Pode também ser o contrário, o que é ainda mais bonito: o espírito da árvore evoca nosso corpo para que ele transpire sobre o seu espírito. Posturando árvore, somos convidados a arborizar nossa humanidade. E por que, afinal, fazemos isso? Fazemos isso porque vemos árvore como mestre. Respeitamos seus saberes ancestrais. Ela é velha. Ela é sábia. Ela é eterna. Ela tem raízes profundas que guardam preciosos ensinamentos. Os praticantes de yoga, somos bem interessados na tora da árvore e em seus preciosos ensinamentos. Para ouvi-la, tornamos nosso corpo um oratório. Um pé no chão, o outro apoiado na coxa, braços esticados para cima, mãos unidas em prece. Reverentes e dela vestidos, rezamos:

Mestre,
fala-me sobre raízes.
O que aprendeste com o profundo da terra?
O que aprendeste com o molhado da água?
Como foi para tu quando fostes semente?
Fala-me sobre o silêncio, sobre o escuro e sobre o broto.
O que é o espaço e o tempo?
Fala-me sobre o vento.
Sobre movimento.
Sobre o firmamento.
O que aprendeste com o medo?
O que aprendeste com o crescimento?
Fala-me sobre altura.
Sobre estrutura.
Estabilidade, flexibilidade, serenidade.
Fala-me sobre o folhar e o florir,
Sobre o frutar e o cair.
Quem sabe eu fazendo do meu corpo o teu corpo
possa sorver a nobreza da tua postura diante da vida
para que eu, aprendendo contigo, faça nobres as minhas,
posturas e vida.

 

COMO ENTENDO A ASTROLOGIA

Texto da profa. Eliane Oliveira - 27/12/19

Querid@s amig@s, boa tarde! Feliz Natal e Feliz Ano Novo!

Estamos naquela época em que as previsões astrológicas são badaladas. O ano novo astrológico acontece em março, mas, nas viradas de ano, ficamos ansiosos diante do novo às portas. É um ritual cultural que nos mobiliza. Buscamos astrologia como se quiséssemos medir ou antecipar quantos problemas ou quantos sucessos teremos em comparação com os do ano passado. É assim todo ano, mas neste, a notícia da tríplice conjunção Saturno-Plutão-Júpiter em Capricórnio, que é esperada para 2020, tem assustado mais do que o comum. Algumas pessoas me pediram para escrever sobre esses aspectos astrológicos, que, de fato, são importantes. Não vou “passar pano” nesses eventos. Acho que eles devem ser observados. Mas, deixarei essas grandes análises para os mestres. Em anexo, indico nomes de astrólogos que respeito para que, se o assunto lhe interessar, busquem suas análises em vídeos e textos ao longo do ano.

De minha parte, sinto que posso contribuir dividindo com vocês sobre como entendo a astrologia e por qual caminho a tenho pesquisado e aprendido. Seguindo no campo da astrologia tropical, tenho preferido seu princípio simbólico fundador - que é de grande potencial terapêutico - e evitado o caminho das previsões - que, se tomado como o mais importante e deslocado da consciência de autoconhecimento, será contra-terapêutico. Porque, segundo o que me ensinaram, embora as previsões sejam possíveis como tendências e potências, não são elas o mais importante em astrologia, além do que, em torno delas, facilmente, cai-se em muitos enganos e confusões. O engano/confusão mais comum é o do determinismo.

Astrologia não é determinismo. Planetas não "influenciam" nem "interferem". Seria assim se concebêssemos que eles são mais natureza do que nós somos, e não tão natureza como somos. "Influência" e "interferência" pressupõem que haja uma força de fora pra dentro, determinando as situações, à revelia de nossas escolhas e ações. Há quem acredite dessa maneira, e essa maneira,a meu ver, se parece muito com aquela visão mitológica de Deus tirano patriarcal, que presenteia ou pune "seus filhos" por amor, para o próprio bem deles.

Sigo, entretanto, com astrólogos que estudam a partir da perspectiva da sincronicidade. Há sincronicidade, diálogo, conversa entre nós e os astros, e entre os astros e nós. Há micro no macro e macro no micro. Há uma força dentro de mim que está conectada com tudo o que existe fora de mim, e o inverso. O que está em cima, está em baixo, o que está em baixo, está em cima. Assim na Terra como no Céu. Macro e micro, nós nos movemos juntos. Nós nos sentimos juntos. Um átomo é um sistema solar em miniatura. O ser humano, um universo dentro do Universo. De forma que a natureza como um todo se desloca com o deslocamento de cada ser em suas ações e/ou escolhas, e cada ser particularmente se desloca com o deslocamento da natureza como um todo nas ações dela. Planetas simbolizam forças já existentes, latentes, potentes, simbolizadas em nós. C. G. Jung, que era astrólogo, incluía-os na categoria "arquétipos". Saturno (simbolizando a disciplina, o limite, a restrição, a estrutura) é um aspecto do nosso ser. Está "presente" em nós. Plutão (simbolizando a morte, a transformação, o submundo, as trevas, a depuração) é um aspecto do nosso ser. Está "presente" em nós. Júpiter (simbolizando o mestre, a sabedoria, a expansão, o religioso, o filosófico, os estudos) é um aspecto do nosso ser. Está "presente" em nós. A partir da perspectiva da sincronicidade e do simbolismo da natureza, a astrologia é um saber ancestral precioso para quem busca o autoconhecimento, já que com ela, posso me perguntar: como a "minha natureza" conversa com o deslocamento da natureza como um todo?

Uma boa resposta para isso é pensarmos como nosso corpo interage, por exemplo, com uma mudança climática. Esfriou, alguém pode sentir frio, outra pode sentir fresco, outra pode continuar sentindo calor, outra pode espirrar, outra pode sentir dor no dente, outra pode sentir dor no pé esquerdo, outra pode ficar deprimida, outra pode ficar animada. A forma com que conversamos com o frio dependerá de como vivemos o frio, qual é a qualidade do frio em nós, como a minha natureza dialoga com o resto da natureza do frio. No caso de Saturno, por exemplo, como minha natureza vive a natureza simbólica saturnina (o limite e a estruturação)? Assim, por diante, em todos os planetas, signos e aspectos.

Pra falar dos planetas envolvidos na tríplice conjunção 2020: Saturno e Júpiter são planetas transpessoais, e Plutão é um planeta geracional. Isso significa que os três falam mais de ressonâncias de longa duração entre eles e grandes aglomerados: países, nações, governos, culturas. Mas, como o macro está no micro, também encontrarão nossos “planetas interiores”. E o que fazer diante disso? Divido com vocês a resposta que dou a mim mesma. Devo fazer com isso agora o que sempre devo fazer com isso: permanecer trabalhando meu "espaço interno." Como?

Com Yoga, por exemplo. Yoga sempre e mais do que nunca. Ele faz com que não percamos a consciência do permanente processo de transformação do humano e de todos os seres, como natureza. A partir dele, posso ritualizar o final do ano como ritualizo o começo e o meio do ano, sempre atualizando uma verdade: estou em fase de crescimento, e isso durará a vida toda.

Inspirando-me no yoga e na energização dos sete chakras, pergunto-me:

1- Como está minha relação com a matéria, com a vida e com a morte, com minha família, com meu passado, com meus ancestrais? 2- Como está a vivência da minha sexualidade, meu ânimo e prazer de viver, minha capacidade de gerar e parir filhos (frutos, projetos) neste mundo, minha maternagem, meu feminino? 3- Como vivencio emoções viscerais como a raiva e o ódio? Como vivencio meu ego? Acho que controlo tudo (com o rei na barriga)? Acho que não sirvo pra nada (o cocô do cavalo do bandido)? Tenho emoções mal ou bem digeridas? Como vivo o meu masculino? 4- Como vivencio a relação com o outro? Como vivencio o casamento do feminino com o masculino, da terra com o céu, da matéria com a consciência? Como vivencio o amor, a solidariedade, a fraternidade? Como vivencio o respeito pelo outro e pela diferença - pessoa, cultura, sociedade? 5- Como vivencio a expressão, a comunicação, a tradução do que aprendi com as demais dimensões? Dou-lhes voz (palavra, arte, gesto, som)? Crio formas de comunica-los? Grito-os? Vomito-os? Engulo-os? Calo-os? 6- Como vivencio a intuição, a liberdade, a intelectualidade, a meditação? 7- Como vivencio Deus, o sagrado, o mistério, a totalidade, a integração, o silêncio?

Estamos juntos. Sigamos com coragem, alegria e amor.


Um beijo e um abraço, fraternalmente,
Eliane Oliveira

Texto publicado em: https://www.facebook.com/1459086691012200/posts/2460917297495796/

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Bons astrólogos na internet:
Maria Eunice Souza, Carlos Hollanda, Carlos Antônio Bolas Harres, Yubertson Miranda, Cláudia Lisboa, Fernando Fernandese, VanessaTuleski, Carlos Harmitt.